Pedro Paulo diz que verba federal para o carnaval do Rio ‘não é dízimo para o bispo’

Fonte: Pedro Paulo diz que verba federal para o carnaval do Rio ‘não é dízimo para o bispo’

Principal articulador, em Brasília, para a liberação R$13 milhões de recursos do governo federal para as escolas de samba do Rio de Janeiro, o deputado Pedro Paulo (PMDB-RJ) afirmou que uma das condições tratadas com o presidente Michel Temer é que a verba não passe pela Prefeitura do Rio: “Esses recursos são para o carnaval e não são dízimos para o bispo”, afirmou o parlamentar, se referindo ao prefeito Marcelo Crivella. Questionado sobre a afirmação do deputado Pedro Paulo, o prefeito Marcelo Crivella respondeu, através de sua assessoria que “as opiniões do deputado Pedro Paulo são irrelevantes para o momento atual do Rio de Janeiro e sobre a nossa gestão”. Já a Riotur disse que a medida não altera os planos de investimento para o carnaval de 2018.

Mesmo com a entrada de novos recursos, presidentes de grandes agremiações do grupo especial como as atuais campeãs Portela e Mocidade não garantem que o os ensaios técnicos voltem a acontecer.

Pedro Paulo afirmou que Temer pediu celeridade ao novo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, para que, pelo menos, parte dos recursos sejam repassados ainda este ano às agremiações:

— A maneira como esses recursos serão repassados é que está sendo estudada, agora, pelo Ministério da Cultura junto com os ministros Moreira Franco da Secretaria-Geral e Marx Beltrão do Turismo. Pode ser via Lei Rouanet ou por recursos de estatais.

Para Luis Carlos Magalhães, presidente da Portela, a notícia das verbas federais chegou como um alívio para o mundo do samba:

— Nós enxergamos com muito bons olhos esses recursos que virão por vias federais. Acredito que conseguimos fazer um carnaval digno com esse dinheiro. A Portela foi campeã sem contar com dinheiro de patrono ou de grandes patrocinadores, apenas com os recursos das subvenções. Acho que, agora, a festa voltará a ter brilho.

Mesmo com o aporte federal para a festa do Momo, Magalhães acredita que a verba não será suficiente para garantir os ensaios técnicos realizados na Marquês de Sapucaí, antes do carnaval.

Outro que também não vê relação entre o dinheiro enviado pelo Governo Federal e a realização dos ensaios técnicos é o presidente da Mocidade, Rodrigo Pacheco.

— São recursos diferentes. Esses federais são exclusivos para a produção dos desfiles de cada escola. Mas estamos discutindo junto com a Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio) uma forma de garantir esses ensaios. Temos que entender que estamos passando por um momento muito grande de queda de arrecadação e isso mexe diretamente com os recursos da liga, que é a responsável pela realização dos ensaios — justificou Pacheco.

Ministério da Cultura confirma ajuda, mas não o valor

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, afirmou através de sua assessoria que se reuniu com representantes da Liesa, na tarde desta terça-feira, em seu gabinete, e reforçou a disposição do Ministério da Cultura (MinC) em garantir a continuidade do Carnaval do Rio.

Sá Leitão se comprometeu a unir esforços com a Secretaria-Geral da Presidência da República, o Ministério do Turismo (MTur) e o Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur), entre outros órgãos, para disponibilizar recursos necessários ao evento. Mas não confirmou os valores de R$ 13 milhões ditos pelo deputado Pedro Paulo. Ainda segundo o ministro, as possibilidades de fontes financeiras serão avaliadas em conjunto pelo governo.

— Estamos convergindo para encontrar uma solução. Essa é uma orientação da Presidência — afirmou o ministro.

A reunião com representantes do carnaval carioca foi o primeiro compromisso oficial de Sá após a posse como ministro. A audiência contou com a participação de presidentes das seis primeiras colocadas no último carnaval: Portela, Mocidade, Salgueiro, Mangueira, Grande Rio e Beija-Flor.

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